Seres humanos, animais e o meio ambiente
Maria de Lourdes Reichmann – Instituto Pasteur
Vários estudos demonstram que alterações no meio
ambiente decorrentes de atividades desenvolvidas por seres humanos podem
determinar desequilíbrios ecológicos, repercutindo negativamente na qualidade
de vida da população. As repercussões deletérias consequentes destas
intervenções merecem reflexões e intervenções para que os projetos e os métodos
propostos a título de desenvolvimento local ou regional passem a ter em seu
bojo a racionalização do uso e da ocupação dos ambientes, incluindo animais.
Neste contexto – Saúde e Meio Ambiente - se inserem as questões relativas à saúde e
ao bem-estar animais, quaisquer que sejam as espécies envolvidas. Exemplos da
importância da promoção da Saúde Pública e da preservação do Meio Ambiente são
frequentemente evidenciados. É o caso da preservação da Mata Amazônica pela
dispersão de sementes por intervenção de morcegos, referida como mais intensa
que a intervenção de pássaros e insetos polinizadores. Também é referida a
recuperação de áreas desertificadas de Israel, pela adubação por meio de fezes
de morcegos frugívoros.
A
interrelação com animais de companhia, cães e gatos, é referida em trabalhos
sobre terapia assistida por animais, na qual a evolução para cura de doenças
graves, a correção de distúrbios de comportamento, a socialização de pessoas
solitárias são alguns dos pontos que traduzem os benefícios alcançados. A
simples convivência com animais destas espécies provê benefícios comprovados
por trabalhos amplamente divulgados.
Aqueles
animais de importância econômica, mantidos para subsistência familiar,
favorecem a melhoria da qualidade de vida de grupos comunitários, seja pela
melhoria de renda, pela disponibilidade de alimentos mais saudáveis ou pela
disponibilidade de ocupação ou emprego.
Para
que o Meio Ambiente não seja degradado e a Saúde Pública tenha garantida sua
promoção, as questões interligadas a animais não podem ser alijadas das
deliberações sociais e do desenvolvimento de políticas públicas.
Quando
ocorrem desequilíbrios ambientais, determinados, por exemplo, por ocupação
desordenada de áreas de preservação e de mananciais; erosão do solo;
contaminação de reservas hídricas; alteração de cursos de água, trânsito descontrolado
de animais; queimadas, desmatamentos e falta de gerenciamento de resíduos, os
reflexos surgem rapidamente, pelas mudanças de hábitos ou comportamentos de
animais em novos nichos formados.
Nestas
ocasiões, são detectados problemas de Saúde Púbica e de desequilíbrios
ambientais atribuídos aos animais, desvinculando-os dos principais distúrbios
que os antecederam. São referidas invasões de animais silvestres em áreas
urbanas, presença incômoda de cães e gatos, abandonados por incúria de quem os
mantinham, proliferação de insetos incômodos e vetores de doenças, doenças
transmitidas por alimentos de origem animal, devidas à manipulação precária e à
falta de controle de saúde de animais produtores, quando não ocorrem
extermínios de animais autóctones pela introdução de animais exóticos, devido
ao tráfico e à impunidade dos responsáveis.
Bem-estar psicológico e social, habitações saudáveis,
alimentação balanceada e meio ambiente saudável devem ser os objetivos a
alcançar, permeados pelo equilíbrio na interação entre seres humanos, animais e
o meio ambiente.